Data de publicação: 01 de junho de 2009
Medicina Ortomolecular
Drª Thaís Castro - Médica do Espaço Integrare
E-mail: tcfigueiredo@yahoo.com.br
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Nutrição em Foco (NeF): Quais são os princípios da medicina ortomolecular?
Thaís Castro (TC): Encarar o paciente de uma forma global buscando harmonia e reequilíbrio. Neutralizar ou diminuir os efeitos tóxicos das espécies reativas de oxigênio (radicais livres) através do uso de vitaminas, minerais, fitoterápicos e alimentos funcionais (mas não esquecendo de enfatizar que a ingestão dessas substâncias não é suficiente para se atingir o equilíbrio, é preciso mudar hábitos de vida). Minimizar o impacto da influência do processo oxidativo no envelhecimento celular. Promover o desenvolvimento de estratégias complementares visando o aumento da eficácia do tratamento clássico.
NeF: Qual o principal objetivo?
TC: As injúrias provocadas pelo estresse oxidativo apresentam efeitos cumulativos e estão relacionadas ao desenvolvimento de uma série de doenças. O objetivo da medicina ortomolecular é então o de atuar como importante aliada do organismo na luta contra essas doenças e agentes agressores, otimizando os mecanismos de defesa e compensação do nosso corpo.
NeF: A medicina ortomolecular interfere na alimentação de alguma forma?
TC: Sim, através de orientações e não da elaboração de uma dieta específica. A mídia popularizou a idéia de que existe uma “dieta ortomolecular”. Isso não é verdade. O trabalho da nutricionista é um alicerce fundamental para que o tratamento ortomolecular tenha o seu melhor resultado.
NeF: A medicina ortomolecular proíbe algum grupo de alimento?
TC: Não. A recomedação é usar bom senso nas escolhas alimentares e quando for consumir alimentos que sabidamente sejam ricos em sal, açúcar, gorduras saturadas e outras substâncias afins, consumir com moderação. Sei que existem alguns colegas que trabalham com a dieta dos grupos sanguíneos. Eu particularmente não acredito nisso.
NeF: Como a medicina ortomolecular pode melhorar o desempenho de um esportista?
TC: O aumento do consumo de oxigênio, assim como a ativação de vias metabólicas específicas durante ou após o exercício, resulta na formação de radicais livres. Por outro lado, sabe-se que a atividade física é uma conhecida forma de estresse e a exposição crônica a ela é capaz de desencadear adaptações: uma regulação ascendente das defesas enzimáticas naturais. Mas o risco de estresse oxidativo com o exercício depende de sua intensidade e do estado de treinamento do atleta. Os danos estão relacionados com a diminuição do desempenho físico, fadiga muscular e a síndrome de overtraining. A suplementação com nutrientes antioxidantes pode então ser utilizada para minimizar o estresse oxidativo e a queda de performance.
NeF: Quais os tipos exames mais específicos da medicina ortomolecular relacionados ao estado nutricional do indivíduo?
TC: Na medicina ortomolecular, além dos exames convencionais, podemos utilizar exames para avaliação de reserva funcional (capacidade do organismo de responder a estímulos externos). Estes exames objetivam identificar os desequilíbrios para reestabelecer a homeostasia. Para avaliação do estresse oxidativo: HLB-Test (microscopia ótica como método de medida de radicais livres) e MDA urinário. Para avaliação do sistema antioxidante: teste da vitamina C e do zinco e para avaliação do terreno biológico: teste de disbiose, do ph da saliva, do stress adrenal e teste de cálcio. A avaliação funcional utiliza portanto métodos práticos e rápidos, não invasivos, mas que não funcionam como métodos diagnósticos e não definem tratamento de patologia. São utilizados para acompanhamento do paciente e verificação da resposta à terapêutica em uso.